Após anos de espera, mobilização e expectativa dos moradores, a Prefeitura de São Paulo entregou neste sábado, 14, a primeira fase de implantação do Parque Jardim Primavera, o primeiro da região de São Miguel Paulista, na Zona Leste (ZL) da capital. O espaço é o 15º parque entregue pelo prefeito Ricardo Nunes e o 123º da cidade, resultado de uma política de ampliação das áreas verdes que elevou a cobertura vegetal para mais de 50% do território da capital.
O parque foi aberto oficialmente com um investimento de R$ 250 mil para cumprir sua função social, ambiental e de lazer para a comunidade local. Nesta primeira fase do Jardim Primavera, 27,3 mil m² estão abertos à população. O terreno total possui cerca de 155 mil m², e a segunda fase do projeto, com 127,4 mil m², passará por um Plano de Intervenção e, posteriormente, por estudo para a implantação de novos equipamentos.
Foram instalados no espaço sede administrativa, guarita, sanitários públicos, quiosques, mobiliário urbano, iluminação, cercamento, parquinho naturalizado (brinquedos feitos com troncos, pedras e galhos) e Academia da Terceira Idade (ATI). O projeto garantiu que as calçadas do entorno fossem remodeladas e transformadas em passeios verdes, integrando a arborização ao tratamento paisagístico do espaço.
O prefeito Ricardo Nunes comemorou a inauguração do primeiro parque de São Miguel Paulista, que era a única subprefeitura que não contava com uma área como essa. “São 27 mil m² quadrados nesta primeira etapa entregue hoje e depois vamos fazer as adequações para a segunda fase, voltar aqui e fazer a liberação, que é superimportante”, explicou. Para a abertura ao público, o local também recebeu melhorias em suas estruturas, pintura e mobiliário, além de intervenções no piso intertravado, no alambrado e serviços de jardinagem.
O secretário do Verde e do Meio Ambiente, Rodrigo Ashiuchi, destacou que os cães que já viviam no parque também receberam atenção especial da administração municipal. “Os cachorrinhos ficaram todo esse período aqui. Falei com o prefeito Ricardo Nunes e eles ganharam uma vila, já que também merecem ficar aqui. As casinhas são sustentáveis e, enquanto eles estiverem com vida, vão ficar aqui”, explicou.
Concretização de um sonho
A abertura do Parque Jardim Primavera simboliza a realização de um antigo sonho dos moradores da região. O espaço, que por muito tempo permaneceu fechado, agora se transforma em um ponto de lazer, convivência e qualidade de vida para a comunidade.
Felipe da Silva, 22 anos, que atua em uma associação de moradores, conta que cresceu na região e que a abertura do parque irá contribuir para o desenvolvimento do bairro. “A abertura desse parque significa muito para esta comunidade. Esse espaço chegou a ficar tomado por dependentes químicos e hoje está aberto ao público e com segurança. Virei aqui sempre que possível. É uma área de lazer que deve ser ocupada pelos moradores”, afirma, destacando que também gostou das melhorias feitas na área externa do parque.
Fauna e flora
O Jardim Primavera conta com 38 espécies de aves, como quero-quero, pomba-silvestre, anu, beija-flor, periquito-rico e joão-de-barro, além de bem-te-vi e sabiá. Durante o verão também podem ser encontradas espécies como suiriri e tesourinha.
Ainda há aves de rapina na área, como urubus, gaviões-carijós, caracarás e carrapateiros.
A flora é composta por 36 espécies, sendo 16 nativas, com destaque para Collaea speciosa, arbusto com floração intensa ameaçado de extinção. Abelhas nativas sem ferrão, fundamentais para o processo de polinização das flores na cidade de São Paulo, também estão presentes no espaço.
Histórico
As obras de implantação do Parque Jardim Primavera foram concluídas em 2012, porém o terreno permaneceu fechado devido a uma liminar da Justiça de São Paulo. A alegação era de contaminação do solo da área, onde funcionava o aterro Jacuí, desativado em 1988.
Ao longo desse período, a Procuradoria-Geral do Município de São Paulo (PGM) atuou para assegurar o direito da população ao acesso a um espaço público de relevância para o lazer, a convivência e a preservação ambiental na região de São Miguel Paulista, além de garantir a zeladoria e a vigilância da área.
Com a autorização da Justiça para a abertura da Fase 1 do parque e a execução do Plano de Intervenção na Fase 2, determinando a improcedência da ação e a revogação da liminar, a administração municipal pôde atuar na manutenção do espaço e na abertura ao público.





