Cinco policiais investigados por suspeita de conceder regalias ao ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União), foram afastados de suas funções neste sábado, 17, após prestarem depoimento à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo. De acordo com o portal G1, a decisão foi tomada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian.
Entre os afastados estão a delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarette Barreto, o diretor da cadeia pública do município, o delegado titular do 1º Distrito Policial da cidade, um investigador e um carcereiro da unidade prisional. Os depoimentos foram realizados no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de irregularidades e favorecimentos dentro da cadeia pública onde Milton Leite está preso. A apuração teve um novo desdobramento após uma operação do Ministério Público realizada na quinta-feira. Durante o depoimento, Margarette Barreto afirmou que tinha conhecimento de apenas duas visitas a Milton Leite: a do deputado estadual Delegado Olim (PP) e a da esposa do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que é advogada. Segundo as investigações do Ministério Público, Valdemar também estava presente nessa ocasião. A delegada negou que tenham sido concedidos privilégios aos presos. Segundo ela, a presença de uma televisão na unidade e a entrega de refeições externas haviam sido previamente autorizadas pelo juiz-corregedor. No entanto, as explicações não convenceram a cúpula da Polícia Civil. Na avaliação de seus superiores, Margarette cometeu um erro grave ao não comunicar que políticos e outras pessoas visitavam Milton Leite está preso temporariamente por decisão da Justiça, sob suspeita de integrar uma organização criminosa e de manter relações com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo investigação do Ministério Público. O ex-presidente da Câmara nega as acusações. A defesa de Milton Leite também negou que ele tenha recebido regalias na unidade prisional. O objetivo da Corregedoria é entender em detalhes o funcionamento da cadeia e verificar a regularidade da atuação dos agentes responsáveis pela custódia dos presos. A correição extraordinária foi instaurada por determinação do corregedor João Beolchi e já identificou falhas preliminares em procedimentos internos. A análise completa dependerá dos documentos apreendidos pela Promotoria durante a operação, que devem ser compartilhados com a Corregedoria nos próximos dias. As oitivas deste sábado têm previsão de durar entre três e quatro horas. Na quinta-feira, promotores e policiais cumpriram mandados de busca na cadeia pública de Mogi das Cruzes para apurar denúncias de que presos recebiam benefícios irregulares. Um carcereiro passou a ser investigado por suspeita de facilitar essas vantagens. Durante a operação, investigadores apreenderam R$ 155 mil e US$ 10 mil (cerca de R$ 55 mil) com o servidor. Em nota, a defesa de Milton Leite negou qualquer irregularidade. Segundo os advogados Aloísio Medeiros e Rodrigo Araújo, o ex-presidente da Câmara “não recebe e nunca recebeu qualquer tipo de regalia ou tratamento diferenciado na unidade em que está custodiado”.
A defesa também afirmou que não teve acesso à investigação conduzida pelo Ministério Público e declarou que o político e seus representantes estão à disposição para colaborar com as apurações.







